VÉIO DA NARRAÇÃO
by facectrloficial23em segredo por anos e como ele decidiu se vingar, vão entender que subestimar um idoso pode ser o maior erro da sua vida? Quando esse senhor de 78 anos me contou o que fez para reconquistar sua casa e como destruiu a vida do neto ingrato, eu entendi que idade não diminui a sede de vingança."
"Meu nome é Toninho, sou dono do Bar do Toninho há 18 anos aqui em Belo Horizonte, no bairro Carlos Prates. Meu boteco é daqueles raiz mesmo: mesa de sinuca, cerveja gelada e muito papo furado. Mas também é lugar onde as pessoas vêm confessar as vinganças mais calculadas, as traições mais dolorosas, às vezes até os planos mais sombrios. De qual cidade vocês estão assistindo? Se essa história arrepiar vocês como arrepiou todo mundo aqui no bar naquela noite, deixa aquele like e se inscreve no canal, porque todo dia tem história nova dos bastidores mais sombrios da vida."
"Era uma sexta-feira de outubro de 2023, umas 9 da noite. Bar tranquilo, só o Geraldo jogando dominó sozinho e o João Paulo vendo jogo na TV. Foi quando entrou um senhor de uns 78 anos, bem arrumado, mas com cara de quem não dormia há semanas."
"Boa noite, seu...?"
"Antônio. Seu Antônio."
"Primeira vez aqui, seu Antônio?"
"É. Moro aqui perto, mas nunca tinha entrado. Hoje eu precisava sair de casa."
"Algum problema, seu Antônio?"
"Problema é pouco, meu filho. Meu próprio neto me expulsou da minha própria casa."
"Como assim expulsou? A casa não é sua?"
"Era. Ou melhor, ainda é. Mas meu neto me convenceu a passar para o nome dele. E agora me botou para fora."
"Que sacanagem..."
"E ainda me chamou de velho nojento na frente da mulher dele."
"Conte direito essa história aí."
"É uma história longa e dolorosa. Vocês têm tempo?"
"Temos a noite toda, seu Antônio."
"Meu neto Gabriel sempre foi meu xodó. Criei ele depois que o pai morreu, quando tinha 8 anos."
"E os pais dele?"
"Meu filho morreu num acidente de carro. A nora não quis criar o menino, disse que não tinha condições."
"E o senhor criou sozinho?"
"Sozinho. Minha esposa já tinha falecido. Fiquei eu e o Gabriel numa casa grande, vazia."
"Dei tudo para aquele menino. Escola particular, curso de inglês, faculdade de administração."
"E ele? Era grato?"
"Era, até casar. Casou há 2 anos com uma tal de Bruna. Aí tudo mudou."
"Como mudou?"
"A mulher começou a encher a cabeça dele. Dizia que eu era velho, que atrapalhava a vida de casados."
"E ele? Defendia você?"
"No começo sim. Mas ela foi trabalhando ele aos poucos."
"Que tipo de coisa ela fazia?"
"Começou sutilmente. Dizia que a casa estava com cheiro de velho, que precisava de reforma."
"E o Gabriel?"
"Gabriel começou a concordar com ela. Dizia que realmente a casa precisava ser modernizada."
"Aí começaram as cobranças mais diretas. Ela dizia que eu deveria ir para um asilo, que lá eu ficaria bem cuidado."
"E o Gabriel concordava?"
"Ele falava que era para meu próprio bem. Que eu estava ficando esquecido, que precisava de cuidados."
"Mas o senhor não estava doente?"
"Doente nada! Estou lúcido, dirijo, faço minhas coisas. O problema é que eles queriam a casa livre."
"Para quê?"
"Para fazer festa, receber os amigos, viver a vida de jovem casado sem ter que se preocupar comigo."
"E como eles conseguiram a casa?"
"Aí vem a parte mais suja da história."
"Conte."
"A Bruna começou a falar sobre herança, sobre como seria melhor eu já passar a casa pro nome do Gabriel."
"Para não ter problema depois?"
"Exato. Disse que assim eu evitava imposto, burocracia, essas coisas."
"E você acreditou?"
"Pior que acreditei. Achei que fazia sentido. Afinal, ele era meu único herdeiro mesmo."
"E como foi essa transferência?"
"Eles arranjaram um advogado, fizeram todos os papéis. Eu assinei tudo confiando neles."
"Que besteira, seu Antônio."
"Sei que foi besteira, meu filho. Mas eu confiava no menino. Criei ele com tanto amor..."
"E depois que a casa passou pro nome dele?"
"Aí começou a fase dois do plano deles."
"Que fase dois?"
"Começaram a me tratar mal. Me excluir das conversas, fazer cara feia quando eu aparecia na sala."
"E você não falou nada?"
"Falei. Perguntei se tinha feito algo errado."
"E eles?"
"Gabriel disse que eu estava sendo paranóico, que estava imaginando coisas."
"Típico de manipulador."
"Mas a Bruna era mais direta. Dizia que eu fedia, que minha presença incomodava."
"Na sua própria casa?"
"Na minha própria casa. E o Gabriel não me defendia mais."
"E como foi o dia que eles te expulsaram?"
"Foi ontem. Cheguei da rua e encontrei as malas prontas na porta."
"Suas malas?"
"Minhas. A Bruna disse: 'Seu Antônio, arranjamos um lugar muito bom para o senhor.'"
"Que lugar?"
"Uma casa de repouso. Disse que eu ia ficar bem cuidado, que era melhor para todo mundo."
"E você?"
"Eu falei que não queria ir. Que aquela era minha casa, que eu não estava doente."
"E o Gabriel?"
"Aí o Gabriel perdeu a paciência. Gritou comigo: 'Vô, para de ser teimoso! Você é um velho nojento que só atrapalha nossa vida!'"
"Ele falou isso mesmo?"
"Falou. Na frente da mulher, que ainda riu."
"Que filho da puta..."
"E completou: 'Você vai sim para esse asilo, porque aqui você não fica mais!'"
"E você foi?"
"Não fui pro asilo. Saí de casa com duas malas e vim parar aqui."
"Seu Antônio, me permita uma pergunta: o senhor tem dinheiro guardado?"
"Ah, Toninho... aí é que está a parte interessante da história."
"Como assim?"
"Meu neto acha que me conhece. Acha que sou só um velho coitado."
"E não é?"
"Longe disso. Tenho segredos que nem ele imagina."
"Que tipo de segredos?"
"Trabalhei 40 anos como contador de uma empresa de transporte. Empresa grande, que fazia muito dinheiro."
"E daí?"
"E daí que durante esses 40 anos, eu descobri algumas irregularidades. Sonegação, caixa dois, essas coisas."
"Você sabia e não denunciou?"
"Não só sabia como ajudei a encobrir. Em troca de uma compensação."
"Que compensação?"
"Uma porcentagem de tudo que eles sonegavam ia para uma conta minha no exterior."
"Caralho..."
"Durante 40 anos, meu filho. Imaginem quanto dinheiro isso deu."
"Quanto?"
"Hoje tenho mais de 3 milhões de reais guardados em contas na Suíça."
"E o Gabriel não sabe disso?"
"Não faz a menor ideia. Sempre me viu como um velho aposentado vivendo de pensão."
"E agora? O que o senhor pretende fazer com esse dinheiro?"
"Agora vou usar para me vingar dele."
"Como?"
"Primeiro, vou comprar uma casa melhor que a minha. Bem na frente da dele."
"Para provocar?"
"Para ele ver que subestimou o velho."
"E depois?"
"Depois vou contratar um advogado caro e tomar minha casa de volta."
"É possível?"
"Claro que é. Eles me enganaram para conseguir a casa. Isso é crime."
"E você tem como provar?"
"Tenho. Gravei várias conversas com eles falando sobre o plano."
"Que conversas?"
"A Bruna achando que eu não ouvia, falando ao telefone com a irmã sobre como conseguiu convencer o Gabriel a tirar o velho de casa."
"Ela confessou?"
"Confessou tudo. Disse que o plano era pegar a casa e me internar à força."
"Que safada..."
"E o Gabriel, bêbado, contando pros amigos como foi esperto tirando o avô da jogada."
"Mas não vai parar aí, né seu Antônio?"
"Não mesmo. Isso é só o começo."
"O que mais o senhor planeja?"
"Vou investigar a vida dos dois. Contratar detetive particular, descobrir os podres."
"Que podres?"
"Todo mundo tem esqueleto no armário. Eles também têm."
"E se descobrir alguma coisa?"
"Vou usar contra eles. Do mesmo jeito que eles usaram minha bondade contra mim."
"Isso é vingança pesada."
"Eles que começaram, João Paulo. Eu só vou terminar."
"E se não descobrir nada?"
"Sempre tem um jeito. Com dinheiro, você arranja qualquer informação."
"Como assim?"
"Posso descobrir se ele sonega imposto no trabalho, se ela tem algum caso extraconnjugal..."
"E se tiver?"
"Aí vou chantagear eles. Do mesmo jeito que a empresa me chantageou por 40 anos."
"Seu Antônio, parece que o senhor já descobriu alguma coisa."
"Já, Toninho. E é mais sujo do que eu imaginava."
"O que descobriu?"
"O Gabriel não é o menino santo que eu achava."
"Como assim?"
"Ele tem uma amante. Uma secretária da empresa onde trabalha."
"E a Bruna não sabe?"
"Não sabe. Mas eu tenho fotos, conversas, tudo documentado."
"Como conseguiu isso tão rápido?"
"Dinheiro abre qualquer porta. Contratei um detetive caro, que trabalha rápido."
"E da Bruna? Descobriu alguma coisa?"
"Da Bruna descobri coisa pior ainda."
"O quê?"
"Ela já foi casada antes. E fugiu com o dinheiro do ex-marido."
"Como?"
"Convenceu o ex a passar todos os bens pro nome dela. Depois pediu divórcio e ficou com tudo."
"Igual fez com vocês?"
"Igualzinho. É o modus operandi dela."
"E o que o senhor vai fazer com essas informações?"
"Primeiro, vou usar para recuperar minha casa."
"Como?"
"Vou mostrar para o juiz que a transferência foi feita através de manipulação e má-fé."
"Isso resolve?"
"Resolve. Com essas provas, fica claro que eles me enganaram."
"E depois?"
"Depois vou expor eles para toda a família, todos os amigos."
"Como?"
"Vou fazer um dossiê completo. Fotos do Gabriel com a amante, documentos provando as trapaças da Bruna."
"E mandar para todo mundo?"
"Para todo mundo. Família, amigos, colegas de trabalho."
"Isso vai destruir eles..."
"Exato, Geraldo. Do mesmo jeito que eles tentaram me destruir."
"Seu Antônio, o senhor já confrontou eles com essas descobertas?"
"Confrontei sim. Ontem à noite."
"Como foi?"
"Voltei na casa com todas as provas. Bati na porta e entrei."
"Eles te deixaram entrar?"
"Não iam deixar. Mas quando mostrei as fotos do Gabriel com a amante, eles ficaram em choque."
"E aí?"
"Aí eu falei: 'Agora quem vai sair de casa são vocês dois.'"
"E eles?"
"A Bruna ficou branca. O Gabriel tentou negar, mas as evidências eram muito claras."
"O que você disse para eles?"
"Disse: 'Vocês acham que são espertos, mas esqueceram que velho esperto é mais perigoso que jovem burro.'"
"E depois?"
"Depois dei um ultimato: ou eles saíam da casa voluntariamente, ou eu processava os dois e ainda divulgava tudo."
"E eles aceitaram sair?"
"Tiveram que aceitar. Não tinham escolha."
"E a casa?"
"Voltou para o meu nome. Meu advogado já cuidou de tudo."
"E onde eles estão agora?"
"A Bruna fugiu da cidade. Voltou para a família dela em outro estado."
"E o Gabriel?"
"O Gabriel veio me pedir perdão. Chorando, dizendo que foi influenciado pela mulher."
"E você perdoou?"
"Perdoei, mas não esqueci. Ele pode voltar para a casa, mas agora as regras são minhas."
"Que regras?"
"A casa continua no meu nome. Ele mora lá, mas como hóspede."
"E ele aceitou?"
"Teve que aceitar. Não tem onde morar e não tem dinheiro para alugar outro lugar."
"E como está a relação de vocês agora?"
"Tensa, mas funcional. Ele aprendeu a me respeitar."
"E o dinheiro? Ele descobriu sobre seus milhões?"
"Descobriu. E ficou em choque."
"Como reagiu?"
"Pediu desculpa mil vezes. Disse que nunca imaginei que eu tinha essa grana toda."
"E você? Como se sente?"
"Me sinto vingado, Toninho. Provei que velho não é bobo."
"A lição ficou aprendida?"
"Ficou. Agora ele me trata como rei."
"E a tal da Bruna?"
"Da Bruna nunca mais ouvimos falar. Sumiu da cidade e deixou o Gabriel na mão."
"Bem feito."
"Bem feito. Quem planta vento colhe tempestade."
"Seu Antônio terminou a cachaça, se levantou e disse: 'Obrigado por me ouvirem, rapazes. Às vezes a gente precisa desabafar.'"
"E depois se despediu: 'Agora vou para casa. Minha casa.'"
"Saiu com um sorriso no rosto, de quem havia reconquistado não só a casa, mas a dignidade."
"Ficamos os três em silêncio, processando a história. Um velho de 78 anos havia derrotado dois jovens espertos usando inteligência e dinheiro."
"Três semanas depois, o João Paulo me contou que viu o Gabriel na rua. Estava trabalhando como entregador de comida, tentando juntar dinheiro para sair da casa do avô."
"Parece que a lição realmente tinha ficado aprendida. Nunca subestime um velho que já viveu demais para ser enganado facilmente."
"Sou Toninho, do Bar do Toninho, e essa foi mais uma das histórias dos bastidores da vida."